Pedal de quinta-feira, pré-Bicicletada

Mais uma semana com a galera ativíssima, querendo pedalar todos os dias. Fiquei vários dias sem ir (morar em São Bernardo e cheio de trabalho atrasado não ajuda muito 😦 ). Daí na quinta, o pessoal além de querer pedalar, ia pegar a Juliana, de Floripa, que ia pra Bicicletada e pra Curitiba com a gente. Ela ia desembarcar no Tietê. Aproveitando a deixa, eu ia pegar emprestado com o Toni a bicicleta dobrável dele, pra ir fazendo meu test-drive, já que estou querendo comprar uma pra mim. E era uma boa oportunidade pra levar pra SP as faixas que eu mandei fazer, porque no dia, de bike, ia ficar complicado de carregar.

Encontrei com ele à noite no metrô, onde ele me ensinou a dobrar e carregar a bichinha. Mas mesmo sendo dobrável, que peso! Carregar as faixas em uma mão e a bike na outra subindo as escadas não foi tarefa das mais fáceis…

Acabei desistindo e a Evelyn me encontrou no caminho. Ela me ajudou a carregar as faixas e eu montei a bike de novo e fui empurrando, até a casa dela. De lá, ela pegou a bike dela e fomos pedalando até a casa do Daniel Haase, na Vl. Mariana, onde a galera já estava esperando a gente.

Chegando lá, vimos a bike de som prontinha, funcionando… tava muito, muito legal! E ainda conhecemos a “oficina de arte” dele, onde ele faz seus stencils, suas camisetas, bandeirinhas… todos ficaram maravilhados e quiseram também fazer algumas bandeiras 😀

Enquanto isso, tentávamos falar com a Ju, mas nada… daí conseguimos falar com o Thiago, que já estava com ela na casa dele. Daí saímos pra buscá-la pra uma pedalada rápida, pra ela ir se acostumando com os terrenos de São Paulo… 😀

Lá, finalmente o vimos novamente, já que ele tinha ficado um tempão fora do Brasil. Ele emprestou uma bike pra Ju e saímos de lá, em direção à frutaria. No caminho, um monte de gente já tinha ido embora, então não eramos muitos… paramos na praça do ciclista pra acompanhar as obras. Será que ficaria pronto até o dia seguinte, dia da Bicicletada? Uma coisa que preocupava era as muretas que separavam a praça da pista lá embaixo… como a calçada subiu muito, a mureta tava muito baixa e perigosa.

Saímos de lá, mas no meio do caminho, a galera se separou de novo. Como já tava meio tarde e todos trabalhavam de manhã, o pessoal não quis arriscar de ficar sonolento na bicicletada e cada um seguiu seu caminho… 🙂

Carta aberta aos motoristas

Olá, motorista. Tudo bem? Eu sou o ciclista.

Aquele cara que você vê na beirada da pista e comenta “que cara estranho”. Aquele que você sempre passa raspando quando o ultrapassa a 60 km/h e é ultrapassado de volta quando você fica parado no farol.

Aquele de capacete engraçado. Pois é, também não gosto dele, mas esse capacete esquisito é minha única proteção no caso de você encostar seu bólido de 800kg em minha bicicleta de 15kg e me derrubar. Cair de cabeça no asfalto dói, e muito…

Eu venho em missão de paz. Talvez você não goste de mim, ou simplesmente não saiba quem eu sou e me veja como um estranho. A tendência natural do homem é de oprimir o que é estranho, então por isso que eu venho me apresentar.

Eu sou seu amigo. Não precisa ter medo e nem raiva de mim. Eu não estou na rua pra atrapalhar seu caminho, tampouco roubar espaço de você. Muito pelo contrário, eu ocupo muito menos espaço que um carro!

Muitas vezes gritam comigo falando para eu ir pedalar na calçada. Mas eu não posso ir pra lá,  pois lugar de veículo é na rua, , conforme descrito no Código de Trânsito Brasileiro! Aliás, eu adoraria muito pedalar longe de seu carro e zelar pela minha segurança, mas infelizmente, na região, não há locais onde eu possa conduzir minha bike longe de seu veículo, apesar de, por lei, estar decretado que deveria haver espaço para que as bicicletas pudessem circular livremente e em segurança. Então, por isso, devemos compartilhar as ruas, que é de direito tanto seu quanto meu de usarmos.

Se você me ver na sua frente, não precisa buzinar ou xingar, porque não estamos fazendo nada, apenas seguindo nosso destino. Pelo contrário, cumprimente, dê bom dia, peça passagem… eu sou bastante educado e cordial, com certeza eu abrirei espaço para que você possa me ultrapassar e seguir sua viagem.

É só isso que eu queria dizer. Apenas lembre-se que eu sou um carro a menos na sua frente, jogando fumaça na sua cara, roncando motor e buzinando. Quando me ver pedalando do seu lado, lembre-se que não sou um ser de outra espécie. Eu sou um ser humano indo pro trabalho, pra escola, visitar minha mãe, indo me divertir… assim como você.

Aliás, fica aqui meu convite. Experimente trocar, pelo menos uma vez, o isolamento de sua bolha metálica que você chama de carro pela aventura de sentir o ar na sua cara, de se integrar à cidade, de fazer bem à seu corpo e sua mente que é andar de bicicleta. Deixe de ser mais um rosto escondido por trás do pára-brisa e vire uma pessoa na rua, com um sorriso na cara. Deixe seu motormóvel (veículo dependente de um mecanismo não-sustentável para se locomover) e experimente o verdadeiro automóvel (veículo que só depende de você). Sinta a magia de percorrer grandes distâncias sabendo que você chegou lá apenas com o impulso de suas próprias pernas. Eu garanto, é algo mágico que você nunca vai esquecer.

Um abração!!!

O ciclista

Pedalar em São Paulo é viável

Como muitos devem ter visto, hoje teve o primeiro debate dos candidatos à prefeitura de São Paulo na Band.

Um dos eventos mais interessantes foi a chegada da candidata Soninha Francine (PPS), que chegou “escoltada” por vários ciclistas, a maior parte deles integrantes da Bicicletada. Atitude elogiada inclusive pela ex-prefeita, Marta Suplicy.

Porém quebrar paradigmas é difícil. Quando o assunto foi comentado pelo candidato Ivan Valente (PSOL),  ele atacou a proposta da Soninha dizendo que bicicleta não é solução e que São Paulo precisa investir no transporte sobre trilhos. Para apoiar uma boa alternativa, ele descartou outra excelente, infelizmente.

Sou completamente a favor do transporte sobre trilhos. A região metropolitana carece de um transporte decente, de qualidade, com maior alcance, seguindo os moldes europeus. Porém, isso não tira a importância da bicicleta e muito menos dos cuidados que os mais de 300 mil usuários atuais da bike precisam para não correr riscos de morte durante suas viagens.

Ainda questionaram assuntos míticos como a topografia da cidade, bem acidentada. Para responder a esse assunto, colo um trecho de um texto da própria Soninha, após pedalar conosco na Bicicletada dessa última sexta-feira:

“Ontem fui à Bicicletada. Provando, entre outras coisas, que não precisa ser atleta para se locomover de bicicleta por aí. Veja o meu caso: 40 anos (a um mês dos 41), sedentária (meu grande exercício é subir escada, porque não tenho saco pra esperar elevador), pedalo uma vez por semana e uma distância curta (casa-trabalho). Mas ontem eu fui da Câmara até a Praça do Ciclista na Paulista (subindo a Augusta), depois bicicletamos pela Haddock Lobo, Estados Unidos, Cristiano Viana; subimos a Teodoro, pegamos Doutor Arnaldo e Paulista, descemos a Vergueiro, Liberdade e fomos (uns cento e poucos, a essa altura) circular em volta do Marco Zero, felizes da vida, e tirar foto nas escadarias da catedral da Sé. Seguimos até o Largo São Bento, São João, Ipiranga e São Luis. Eu voltei pra Câmara e o pessoal subiu a Consolação; uma turma ia pegar um ônibus para participar da Bicicletada em Curitiba!

Eu estava tão bem, tão sem cansaço, que poderia ter pedalado mais uma hora numa boa (foram quase três). E acordei hoje sem um vestígio de dor.”

Fonte: Blog da Soninha

Soninha em sua Dahon

Soninha em sua Dahon

Perceberam? Uma mulher de 40 anos, de porte físico comum, que não pratica atividade física freqüentemente, pedalando mais de 20km com uma bicicleta de baixa performance (uma Dahon Curve), encarando várias subidas (Augusta, Teodoro Sampaio)… disse que conseguiu numa boa e ainda topava mais.

Quem diz que não dá pra andar de bicicleta em São Paulo não sabe do que está falando. Provavelmente nunca andou e tem medo. Aliás, isso só prova que a Soninha sabe do que está falando e não está sendo pragmática como alguns outros.

Se você também tem medo, faça como a Soninha e vem pedalar com a gente… perca o medo, seus preconceitos e se apaixone! Só vai fazer bem para você, eu garanto 🙂

Desabafo caoticamente inspirado


Por XuPaKaVrAz

Acho que o melhor destino do automóvel é ser um táxi, ambulância, viatura.

Talvez, nos primórdios, tinha-se o conceito de carro familiar (no sentido
Italiano da palavra família), por exemplo vários irmãos emancipados e
eventualmente casados revezam com seus pais a utilização de um único
automotor, assim o uso deste teria de ser justificado. O problema é que hoje
em dia a família grande unida tornou-se uma coisa tão rara de se encontrar.

As famílias se esmigalham, os irmãos não se conhecem mais, visitar os pais é
fato bimensal.

Eis o cerne do Apocalipse Motorizado, cada partícula desta ex-família visa
ter um automotor próprio. Uma vez adquirido, por comodismo, falta de
iniciativa, e mesmo para justificar o gasto absurdo que representa, acaba
utilizando-o para tudo.

O comércio local se esmigalha, farmácias, açougues e até varejões são
absorvidos por grandes centros de compras com acessos dedicados aos carros
individuais.

A cidade se esmigalha, o local de trabalho é longínquo, a balada onde o
diabo perdeu as botas, os vizinhos, quem são eles? nem os conhece!
Desfigurada, a cidade é uma ameaça, onde uma cápsula isolante e brutalmente
ineficiente é aparentemente obrigatória.

Ineficiente porque o peso do transporte é maior do que os transportados,
ineficiente porque o desperdício de energia em forma de calor é absurdo,
ineficiente porque gera movimentos parasitas atrelados à trepidação,
ineficiente porque seu ciclo de produção é insustentável, ineficiente porque
suas flatulências estão acabando com o mundo como o conhecemos.

O cenário está montado então para a proliferação das bundas motorizadas,
nádegas aparentemente normais que recusam-se dogmâticamente à utilização da
própria musculatura para locomoção.

Assim, a pessoa não conhece mais a familia, nunca conheceu os vizinhos, seus
companheiros de trabalho são rivais aos que precisa derrotar, seus amigos
são sombras que surgem na internet ou nas baladas quando os sentidos estão
embotados pelo álcool.
E a vida passa…

Quando seja tarde demais, o vento carregará para longe as partículas de
fuligem, e as carcaças do animal que achavamos fosse racional, ressecadas ao
sol, servirão de sustento a seres primitivos que poderão, simplesmente,
viver em paz.

Quanto a andar de Quatro e andar de Duas, prefiro de Duas.
Aquilo de andar de Quatro não é comigo.
Andar de Quatro é submissão.
Andar de Quatro é involução.

Desculpem aí, estava, caóticamente, inspirado.

Abraços aos seres que mesmo respirando fuligem, pedalam por um futuro
melhor.

XPK. EU sou o motor.

A melhor matéria sobre o WNBR

Como muitos de vocês devem saber, em 15/07/2008, rolou na Av. Paulista a primeira edição brasileira do World Naked Bike Ride.

Aquele passeio com um monte de ciclista pelado??? – Sim, esse.

Para os que pensam dessa forma, recomendo os vídeos abaixo , que são da matéria que a Renata Falzoni fez para o seu programa na ESPN Brasil. É, de longe, a melhor matéria já veículada sobre o que realmente foi e o que aconteceu naquela tarde na paulista. Obrigatório.

Parte 1

Parte 2

Mapa dos bicicletários e bicicletarias de São Paulo

Mapa de bicicletários e bicicletarias

Há, no Google Maps, dois mapas que são uma santa ajuda para nós.

Um é um mapa de lugares onde se pode estacionar sua bicicleta na região de São Paulo. Parques, mercados, academias com bicicletários e paraciclos. Excelente mapa iniciado pelo Lilx, em cima do catálogo do Apocalipse Motorizado.

O outro é um mapa de lojas e bicicletarias. Funciona da mesma forma, iniciativa do Marcelo Mig.

O importante é ressaltar que ambos os mapas são comunitários e qualquer um pode contribuir. Eu já deixei minhas contribuições, com informações sobre estabelecimentos, com endereço completo, telefone, fotos, etc.

E você, conhece alguma bicicletaria ou estacionamento de bike onde mora? Que tal compartilhar a informação com a gente? 🙂

A bicicleta no ABC paulista

Esse blog vai, a partir de agora, tentar promover o uso não só da bicicleta mas de todo veículo não-motorizado, da coexistência e integração entre veículos e a humanização do trânsito e das cidades do ABC paulista.

Há diversos outros sites, como os listados nos links desse blog, que o fazem e muito bem, mas geralmente focados em São Paulo capital. Esse blog vai focar nos problemas das cidades do ABC (Santo André, São Bernardo do Campo, São Caetano, Diadema, Mauá, etc).

Se você é da região e gostaria de contribuir com idéias, sugestões, links ou qualquer material, fique à vontade para entrar em contato comigo! Use a janela de comentários. Prometo que me empenharei para publicar tudo que fôr relacionado à região e que possa ajudar os nossos ciclistas.